segunda-feira, 11 de junho de 2012

E agora...

Apesar de bastante receosa em relação ao fim da minha licenciatura, tenho a dizer que eu podia estar bem pior. Há uns tempos atrás o mais provável era refugiar-me em casa, encher-me de fritos e doces (dependendo da altura do dia), a ver televisão, a tentar esquecer que tinha de me mexer. Curiosamente, nem me dou tempo para respirar, estou com alguns planos e aos poucos, estou a tentar solidificá-los. Inscrevi-me na AIESEC, para fazer voluntariado no estrangeiro mas as condições não me seduziram muito, portanto desisti da ideia. De qualquer forma fiquei contente comigo mesma por ter dado uma oportunidade à sessão de esclarecimento e por ter enfrentado o meu medo horrível de conhecer pessoas novas. Não serviu para o ultrapassar completamente mas já ajudou um bocadinho. 
Na faculdade as notas têm-me surpreendido pela positiva o que me tem dado, pela primeira vez em muito tempo, um sentimento de justiça, paz e satisfação comigo mesma. 
Apesar das dúvidas, das incertezas, estou a gostar desta fase. Estou a puxar por mim, sair da zona de conforto. Há muito tempo que não me provava a mim mesma. 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Acreditei

Até pode ser injusto, descabido, inadequado. Mas existe. Não é normal as lágrimas caírem quando me disponho a fazer algo novo, descobrir o desconhecido e sair da concha. Mas elas caem. O medo assola-me. O medo tomou conta de mim impondo-se sempre quando algo novo e diferente quer tomar lugar. Primeiro o entusiasmo de estar a tomar o passo numa nova direcção. Depois apercebo-me que o que fiz é real. Medo. Desculpas para não o fazer. O aperceber-me disso. As lágrimas que representam a desistência. Eu a ficar mais uma vez para trás.
Eu sei que não o devia dizer. Mas viver como estou e onde estou está a retrair-me, a puxar-me para trás e a impedir-me de crescer e de acreditar. Preciso de estar sozinha para ver finalmente que sou capaz, que sou suficiente e não me esconder por detrás de teorias como "será que consegues? é muito dificil". Gostava de responsabilizar quem me repetiu e incutiu esta maneira de pensar, de que o difícil deve ser evitado. Porque as minhas capacidades não são tão boas como as da concorrência. Gostava de culpar quem, sem querer, me deu a entender que era quase impossível ser mais do que mediana. Gostava que, quando disse "quero ser excepcional", não me tivesse respondido "isso pode não acontecer". Gostava de o culpabilizar. Mas, no fundo, a culpa foi sempre minha. Porque acreditei.

domingo, 6 de maio de 2012

Dia da Mãe

Eu lembro-me de acordar de manhã com a minha irma e saltarmos para cima da cama dos meus pais, acordando-os de um sono profundo de domingo para proferir aquelas típicas palavras que serão repetidas ao longo deste dia: "Feliz dia da Mãe".
E ela acordava bem-disposta, com um sorriso gigante de orelha a orelha, agradecendo com um abraço cheio de calor. Ficava feliz e nós também.

Eu e a minha irmã tivemos a sorte de a ter como mãe, ainda que por pouco tempo. A minha mãe era muito bonita e escrevia muito bem. Era babada por nós e era muito meiga connosco. A relação que tinha comigo era muito diferente da que tinha com a minha irmã. Eu era uma criança muito extrovertida, palhaça até. Só dizia disparates e fazia-a rir imenso. Dava-me um enorme prazer fazê-la rir porque, apesar de pequena, eu sabia que a sua vida não era fácil e que sofria bastante. Ouvir as suas gargalhadas era o ponto alto dos meus dias e gosto de acreditar que a ajudei a encarar a vida de uma forma mais positiva.
Com a minha irmã era diferente. Eram confidentes uma da outra. Eu percebia, a minha irmã já era mais velha, ambicionava crescer para também confidenciar com elas. Não tive tempo para isso e por muitas vezes senti-me triste, ressentindo a minha idade, ressentindo o tempo que me faltou que não me permitiu contar-lhe sobre o meu primeiro amor, a excitação no dia em que tirei a carta, o dia em que me inscrevi na faculdade, o dia em que fiz 18 anos, 20 anos... Mas nem isso me impediu para estabelecer essa ligação. Escrevi-lhe cartas a falar do meu primeiro amor, a desabafar os meus dramas de adolescente. Quando andei sozinha no carro pela primeira vez, foi o cd dela da Maria Bethânea o primeiro que ouvi. Portanto, de certa maneira, ela esteve sempre comigo e vai estar sempre. E por isso, desejo-lhe um bom dia da mãe, onde quer que esteja, esperando que ela saiba que foi a melhor mãe que alguma vez poderia ter desejado... Tanto para mim, como para a minha irmã.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

É agora...

que vejo que a destruição que me envolve desde há muito, tenta abalar-me por todas as frentes. E mesmo assim, perco tempo a preocupar-me com quem me aponta o dedo por tudo e por nada. Às vezes não sei se sou ingénua ou se gosto de ser mártir.

sábado, 26 de março de 2011

É de falar-lhe que eu gosto

Gosto de falar. O sentido que dou às histórias são sempre coincidentes e tenho a tendência de não esconder nada. Esqueço-me muitas vezes de distinguir as pessoas que ouvem as minhas histórias com uma atenção amiga daquelas que me querem ouvir pelo simples prazer de saber as "cusquices" do dia, espalhando por todas as pessoas que procuram o mesmo, seja por malícia ou não. Esqueço-me de me perguntar se confio ou não antes de dar liberdade ao meu paleio e soltar as histórias da minha vida cheias de frustrações ou alegrias, comédia ou drama.
Mas gosto de falar-lhe de cenas banais do dia-a-dia. Aquelas histórias que achamos piada sem realmente pensarmos em espalhar porque contado não é a mesma coisa. A imagem e o som presenciado mais valor têm do que descrito para outrem. Mas mesmo essas cenas esporádicas e desprovidas de emoção, quando traduzidas em palavras descritivas, são argumento da sua atenção. É um verdadeiro achado esta pessoa que me ouve com prazer e que reage ao que lhe digo. Seja entre sorrisos ou gargalhadas ou até mesmo rugas de expressão que poderão sugerir preocupação. Sim, preocupação. Esta palavra que tanta gente utiliza como cliché para justificar a sua vontade de cuscar, de saber, de fofocar. Porque se "preocupam" com as nossos assuntos. Ele não. Posso-lhe dizer o que quero sem dúvida se se preocupa comigo ou com o facto de não ter histórias de vidas alheias para espalhar. A preocupação dele é genuína. E mesmo tendo um ciclo à minha volta que não se cruze com o dele, eu sei que ele vale a pena porque somos nós. E a história que partilhei com ele não teve o fim de conto de fadas, antes uma história de vida real que criou um elo de ligação difícil de quebrar, pois foi construído com honestidade, confiança, carinho e sobretudo preocupação genuína de quem se gosta, independentemente da forma que se concebe no final. Por isso gosto de falar com ele, porque sei que sou valorizada e sou ouvida com ouvidos de interesse.
E a minha vida vai seguindo o seu rumo paralela à dele, sem nunca nos esquecermos de vez em quando de apelar ao elo que nos une, mesmo estando em círculos tão diferentes. É de falar-lhe que eu gosto. Relembra-me que há pessoas que ainda conseguem fazer o mundo valer a pena.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Cantinho

A escrita faz-me falta.
Seja ela de qualidade ou não, pouco importa.
A escrita faz-me falta.
Seja ela rica em gíria ou calão,
Ou até mesmo em formalidade
Não importa a qualidade.

A escrita faz-me falta.
E esta é a pura verdade.
Recorro, assim, ao blog.
Nunca o abandonei
Mas agora voltei.